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Posição Adventista Sobre o Uso de Joias e a Bíblia.


Por: Dr. Samuele Bacchiocchi
ThD. pela  Universidade Gregoriana de Roma
Autor do clássico "Do Sábado para o Domingo"


Texto-base: 1ª Pedro 3:3-5; 1ª Timóteo 2:9.

Aqueles que acreditam na Bíblia como norma de fé e prática, estão dispostos a compreender como os seus ensinamentos sobre o uso de joias afetam a vida cristã de cada um. Reconhecemos que as pessoas são muito sensíveis no que diz respeito a regras sobre o que usar ou não usar, a questão neste caso é definida pela autoridade da Bíblia - se é que a aceitamos como regra para as nossas vidas. Os adventistas aceitam a vontade de Deus expressa nas Escrituras, e por esta razão sentimo-nos à vontade para explorar as implicações dos ensinos bíblicos sobre as joias para nós hoje. Interessante que este assunto não é tão complexo como muitos pensam, uma vez que aceitemos o ponto de vista bíblico sobre o assunto. Então, vamos explorar algumas das implicações.

1    Posição Adventista Sobre o Uso de Joias e a Bíblia.

A posição adventista concernente ao uso de jóias rejeita o uso das jóias como ornamento e aceita que existam jóias funcionais, e que o uso destas não necessariamente viola o padrão bíblico. É verdade que para algumas pessoas é difícil aceitar o conceito de que as jóias hoje podem ter funções diferentes, porém, no mundo ocidental é evidente que as jóias têm mais que uma utilidade.

• A Igreja Católica tem um número muito grande de joias ligadas ao serviço religioso.

• O movimento da Nova Era dá grande importância ao uso das jóias. O mesmo acontece entre o ocultismo como meio de proteção.

• Nalguns países as joias indicam a posição social e de responsabilidade dos reis, rainhas e chefes tribais.

1.1 A Joia Funcional.

É claro que a jóia funcional mais conhecida é a aliança matrimonial, usada como símbolo do amor e compromisso entre o casal. No entanto, na maioria dos casos a função principal das jóias hoje, parece ser ornamental. É este aspecto ornamental que a igreja, de acordo com as Escrituras, tem rejeitado.

1.2 Joias ornamentais.

Normalmente, mas não exclusivamente, encontram-se na forma de brincos, anéis, anéis de nariz (ver Prov. 11:22; 20:15), pulseiras, colares e pulseiras de tornozelo, e são usadas para sofisticar a aparência da pessoa. De certa maneira esta é a definição implícita de jóias ornamentais que encontramos no “Action on Display and Adornment” feita durante o Concílio Anual da Conferência Geral em 1972. Diz: “Adereços pessoais, colares, brincos, pulseiras e anéis ornamentais não devem se usados.”

2. O Uso Restrito de Jóias Funcionais.

2.1 Sem dúvida esta é a área que tende a criar confusão nas mentes de alguns Adventistas que defendem todos os tipos de jóias como sendo mau.

2.2 Ou os que defendem o princípio, admitindo o uso limitado de jóias, às exclusivamente funcionais.
A questão com a qual muitos se deparam consiste em definir o que é jóia funcional, e a partir de que ponto esta passa a ser ornamental.

2.3 Partindo-se do princípio de que a maioria das sociedades teria um entendimento cultural do que é a jóia funcional, não seria difícil identificar esta questão. O que cada um precisa perguntar é: Qual é o objetivo desta peça na minha cultura?

2.4 Se não se conseguir definir o objetivo da mesma, é tido como normal, que o mais provável seja; essa jóia ser ornamental ou decorativa.

2.5 No mundo ocidental as jóias funcionais são fáceis de serem identificadas, porque as suas funções são evidenciadas pelo próprio marketing e satisfazem necessidades específicas na vida da pessoa. Por exemplo; a) o relógio foi feito com o objetivo expresso de assinalar as horas; b) uma aliança de casamento é vendida como aliança de casamento; c) botões de punho são feitos para unir os punhos da camisa; d) o broche pode ser um ornamento funcional se for usado para manter unidas duas ou mais peças de roupa.

3. A jóia Funcional Pode Tornar-se Decorativa.

3.1 Obviamente, uma jóia funcional pode ser feita de maneira que a sua função ornamental sobressaia ao objectivo primeiro. Neste caso ela deve ser considerada inapropriada para um cristão.

3.2 Sobre que base isto deve ser decidido? A solução que o texto bíblico sugere é o uso de princípios bíblicos para determinar o que é e o que não é apropriado como adereços pessoais. Provavelmente poderiam ser identificados vários princípios, mas a igreja aponta os três mais importantes: simplicidade, modéstia e economia. Jóias funcionais devem ser avaliadas com base nestes três princípios.

3.3 “Simplicidade”. Apesar de não ser um termo muito comum na Bíblia, é considerada uma importante virtude cristã. No novo testamento o termo grego haplotes parece ser o mais importante usado para expressar conceitos de simplicidade, singeleza e sinceridade. 2 A utilização deste termo na tradução grega do Velho Testamento e no Novo Testamento indica que a simplicidade consiste num compromisso inquestionável a um único objetivo: honrar a Deus. É caracterizado pela ausência de comportamento ambíguo ou duplo (2 Cor. 11:3; Mat. 6:22-24). Na verdade “Ao contrário de pessoas duplas, aqueles que dividem o coração, aqueles que são simples, não tem outra preocupação que não seja fazer a vontade de Deus e observar os Seus preceitos; a sua vida é uma expressão de compaixão e retidão”.

A simplicidade, está expressa na maneira como agimos e como nos adornamos. O princípio da simplicidade na escolha das jóias funcionais, revela onde estamos focados. Isto é sem dúvida a singeleza de um coração simples. 

3.4 A palavra “modéstia”. É um termo usado por Paulo na discussão sobre os adereços próprios aos cristãos (1ª Timóteo 2:9), e significa o respeito próprio determinado por uma vida que agrada ao Senhor. Consequentemente leva a evitar excessos ou extremos e reconhece e aceita os limites do que é próprio. O que é propício não é simplesmente o que a sociedade estabeleceu, mas basicamente o que foi especificado nas instruções dadas pelos apóstolos para a comunidade dos crentes. Quando as instruções dadas aos cristãos coincidem com os valores da sociedade, a igreja é beneficiada, pois os seus valores não entrarão em conflito com os valores dos descrentes. Em resumo, jóias funcionais, modestas evitam o chamar a atenção para si próprio, e são leais aos parâmetros cristãos do que é a modéstia.

3.5 O termo “economia”. Este termo é difícil de ser definido, porque é diferente para cada pessoa. O que custa barato pode a médio/longo prazo tornar-se caro e o que custa caro pode resultar mais econômico. Nos textos bíblicos referentes a jóias, o princípio da economia não é enfatizado. No entanto, a Bíblia dá-nos orientações de forma muito cuidadosa sobre a mordomia concernente aos nossos recursos financeiros e sobre como temos que dar conta deles a Deus. No caso das jóias funcionais “economia “provavelmente significa que a partir do momento em que jóias caras geralmente tendem a ser para ostentação, devemos evitar de as comprar, e que investir grandes somas de dinheiro, sob o ponto de vista bíblico, viola a nossa responsabilidade de mordomos do Senhor.

4. Símbolo de Estatuto Social.

Usar jóias como símbolo de estatuto social e poder é em poucos casos tolerado na Bíblia, e nalguns casos, reprovado. Este fenômeno deve alertar-nos a ser-se cuidadoso ao lidarmos com esta função particular das jóias na igreja. Aqui deparamo-nos com uma situação na qual a prática cultural ao redor do mundo tem grande influência no que for decidido pela igreja. Por exemplo, oficiais militares usualmente expõem insígnias e medalhas que identificam a patentes e atos de bravura. Esta é uma prática cultural bem aceite e a igreja pode considerar este tipo de jóia como funcional. Outro exemplo: o anel de formatura parece apenas servir para mostrar a nossa superioridade sobre outros que, por inúmeras razões, não alcançaram o mesmo que nós, academicamente. É esta uma jóia funcional propícia? Provavelmente não. Mas talvez, o princípio que nos governa seja que qualquer atitude, símbolo ou ação que introduza distinções sociais desnecessárias entre os cristãos deva ser avaliada cuidadosamente e sempre que possível deposta aos pés da cruz de Cristo, onde há igualdade de pecados e de graça. A ênfase deve ser colocada no que une e não no que separa.

5. Princípios Versus Padrões Culturais.

Os padrões a respeito das jóias (rejeição de jóias ornamentais; uso restrito de jóias funcionais) e os princípios que as regulam (simplicidade, modéstia e economia), tem relevância permanente no tempo e na cultura. Estes princípios podem e devem ser usados para determinar o que é apropriado com respeito ao uso das jóias funcionais. Neste caso particular, a igreja não deve fazer listas do que é ou não apropriado, mas deve guiar e permitir aos seus membros, sob a direção do Espírito Santo, a aplicar os princípios bíblicos a cada diferente cultura. Temos que reconhecer que há determinadas áreas na vida cristã em que o indivíduo deve decidir o que fazer, decisões devem ser tomadas de forma responsável com Deus. Isto é na verdade um sinal de maturidade espiritual. É possível e até provável que muitos usarão erroneamente esta liberdade, mas isto não é desculpa para negar a liberdade dada a cada um de nós pela própria Bíblia.


4 comentários:

  1. Acredito que o anel de formatura não quer expressar nenhum tipo de distinção ou diferença...tem outras maneiras de fazer isso sem que seja ao menos perceptível como na própria sociedade capitalista que é excludente onde EXISTE ESCOLAS PARA RICOS E ESCOLA PARA POBRES, SAÙDE PARTICULAR (só pra quem pode pagar) e SAÙDE PÙBLICA...um anel de formatura? Me poupe...

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    1. Obrigado pelo comentário Claudyo Teixeira. Me perdoe por não entender bem o seu posicionamento. Você coloca no mesmo nível a questão de uma saúde paga ou escola paga o uso de uma jóia que ao que parece nenhuma serventia tem senão expor perante outros a superioridade desnecessária, uma vez que não está a serviço? O centro da questão é se certas coisas são desnecessárias e apelam apenas para nossa vaidade, devemos deixar ao pé da cruz.

      Abraço. Volte a comentar.

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  2. Amo a iasd, pra mim é a unica que realmente é fundamentada nas verdades bíblicas, mas quanto ao uso de jóias eu acho extremismo. A bíblia nos instrui a modéstia, então que mal há de se usar um brinco? Por outro lado vejo mulheres abusando de maquiagens, de sapatos com saltos altíssimos, com adereços nos cabelos, relógios chamativos, roupas escandalosas. É meio que hipócrita, estou frequentando uma iasd, uso brinco bem pequenos, modestos e tem servido de impecilho para o meu batismo. Não é essa a vontade de Deus! Disso eu tenho certeza!

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    1. Olá, amiga Sousa. Obrigado pela gentil atenção dispensada a nosso blog.

      Agora, passemos à questão:

      O caso é que esse tema está bem configurado desde os dias do AT e há uma sutil aproximação do uso de joias para com a idolatria. Há textos inúmeros, como pode ver no artigo acima. Nas admoestações bíblicas do NT de fato há um apelo para a modéstia. Mas essa dita modéstia inclui a abstenção do uso de jóias. Assim, a justificativa apresentada por você não parece um pouco injustificada? Não deveríamos justificar um equívoco pelo outro. Mas deveríamos, sim, buscar uma ajustamento ao ideal divino tanto quanto quanto nos seja possível. Aliás, é bom que se diga: o discipulado exige renúncia de gostos e até mesmo da própria vida. Se você tem se sentido desafiada a contrariar seus gostos, face ás exigências do evangelho, ore a Deus e Ele lhe dará forças.

      Obrigado e volte a comentar.

      pr C.

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