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Livro Liderança Cristã: Conselhos de Ellen White à Liderança da Igreja



Obra analisada: WHITE, Ellen G. Liderança Cristã. Ellen G.White Estate, 2013. Versão e-book. 112 páginas.

A autora Ellen G. White (1827-1915) é reconhecida como co-fundadora, conselheira e profetisa do movimento Adventista do Sétimo Dia. É considerada como a autora americana mais traduzida no mundo, com suas obras publicadas para mais de 160 línguas. Escreveu mais de 100.000 páginas, numa vasta variedade de temas práticos e relacionados à vida espiritual. Sempre exaltou a Jesus e guiou-se unicamente pelas Escrituras como base da sua fé. Além de diversos livros, foi autora de artigos e cartas, que na atualidade são fonte de orientação para os fiéis adventistas. Depois de sua morte em 1915, diversas obras suas foram publicadas na forma de compilação, conforme ela mesma deixou proposto, em vida. Uma dessas obras é a presente, que será analisada a seguir. 

O volume Liderança Cristã é consequência de um esforço de acadêmicos adventistas, diante do desafio de prover um material impresso para uso em salas de aula, nos Seminários adventistas, da década de 70’, baseado nos escritos de Ellen G. White. O material compilado resultou em um pequeno livreto, que foi muito apreciado, nas classes de liderança, naqueles anos. Diante de uma grande procura pela obra, e pelo fato da mesma já ter se esgotado, os diretores do White State viram a necessidade de uma nova edição do material, resultando no livro em apreciação. 

A obra foi publicada pelo White State em 2004. Conta com 112 páginas e se divide em 44 capítulos significativamente curtos. Depois de uma breve apresentação do livro e de um curto prefácio escrito pela diretoria do White State, seguem abordagens oriundas de Ellen G. White, relacionados à vida e ministério do líder adventista. O livro não segue uma estrutura elaborada com base em soluções prontas e definitivas, como tem sido comum, na atualidade. Não propõe um número “passos” para ser um “líder de sucesso”, ou “leis” para orientação de um “líder eficaz”, ou outros títulos apelativos, como tem sido comum em diversas obras divulgadas no mercado editorial. Ao contrário, a obra segue uma análise objetiva de princípios cristãos oriundos das Escrituras, sob uma perspectiva cristocêntrica. Na obra, é recorrente o uso de Cartas e recados especiais, dirigidos a líderes em suas situações específicas, mas que trazem princípios atemporais para o exercício da liderança cristã na atualidade. 

Um dos pontos destacados é a fé no poder de Deus, que no entendimento da autora, é um requisito que todo líder cristão deve preencher. A dependência divina não apenas os capacitará na tarefa, mas influenciará em seu relacionamento com seus liderados. Em suas palavras, quando os líderes “tiverem aprendido a depender de Deus” e “tiverem fé que atue por amor e lhes purifique a alma”, não "colocarão sobre os ombros de outros homens fardos penosos de ser suportados” (p. 20). Em sua visão, a mera “posição” não traz santidade ou infalibilidade a nenhum homem, mas no honrar a Deus e obedecê-Lo, “o homem se torna verdadeiramente grande” (p. 22). Essa preocupação com a excelência do caráter cristão é percebida diversas vezes, como quando ela dirá que “a posição não faz o homem”, mas sim a integridade do caráter e o Espírito de Cristo “que o torna grato, nada interesseiro, sem parcialidade e sem hipocrisia”. E, para Deus, “isto é que tem valor” (p. 25). Tais homens deverão ver nas dificuldades “um chamado à oração” (p. 66), e como ministros da Palavra precisam “tomar tempo para estudar [...] e examinar a si mesmo[s]”, pois somente através de profunda sondagem interior e de consagração, saberão melhor “compreender as coisas ocultas de Deus” (p. 106). Sua visão é que os líderes devem suportar as correções, de modo que as responsabilidades devem ser dadas apenas “a homens experientes, provados e tementes a Deus, homens que suportarão a mensagem de reprovação enviada por Deus” (p. 111). 

Mas Ellen White não acreditava que apenas uma piedade interior fosse suficiente para exercitar uma boa liderança. Em diversas falas da autora, nota-se a valorização da organização. Em seu entendimento, a Igreja é um corpo unificado. Além de valorizar o sistema organizacional e entendê-lo como necessário (p. 13-14), ela enaltece o valor do trabalho realizado com ordem, com planos “bem definidos”, “francamente apresentados”, com “a certeza de que tenham sido compreendidos” (p. 62). Orienta sobre o correto uso do tempo, como ponto determinante para que um ministro ser torne um “pastor completo” (p. 57). 

Ao lado dessa proposta proativa, a obra demonstra que a autora se manteve firme contra determinados vícios do mundo corporativo e eclesiástico, tais como o sacrifício da família, em prol do sucesso. Para a autora, o valor de um líder se demonstrará de imediato, em sua habilidade de governar a própria casa. Apenas quando “assumir fielmente as responsabilidades em sua própria casa”, um líder estará adequado para assumir “a responsabilidade de alimentar o rebanho de Deus” e de manifestar “o terno cuidado do Senhor pelas ovelhas do rebanho” (p. 33). No caso da mulher, antes de se dispor a liderar, precisa compreender o dever de cuidar do lar e da família, com a consciência de que apesar de suas aspirações pessoais, “a sociedade tem direitos sobre ela” (p. 54). Ao que parece, a autora se opunha à busca de postos por parte das mulheres como forma primaria de exercício dos direitos feministas, tão em voga naqueles dias e na atualidade. 

Há diversas orientações dirigidas àqueles que ocupam função executiva na organização. À eles a autora recomenda o espírito humilde e o exercício da amabilidade; o dever de exercer paciência; de evitar o excesso de controle sobre seus liderados e de saber lidar adequadamente com os que erram. Condena ostensivamente a centralização de poder e a autossuficiência. Em suas palavras, quando os líderes pensam que “suas ideias e seu julgamento devem ser aceitos sem questionamento, mostram-se incapazes para a posição que ocupam” (p. 21), e que “nenhum homem foi feito um senhor, para governar a mente e consciência de um seu semelhante” (p. 38). Aqueles que controlam outros “devem primeiro aprender a controlar-se” a si mesmos (p. 99). 

A obra avalia também o perfil inadequado de quem se dispõe a conduzir a igreja de Deus. Um cristão “imaturo, atrofiado em seu crescimento religioso, destituído de sabedoria do alto, está despreparado para enfrentar os ferozes conflitos pelos quais a igreja é chamada a passar” (p. 104). Também os “insinceros e profanos”, os “dados à tagarelice”, os “que vivem a comentar as faltas alheias”, os “presunçosos, satisfeitos consigo mesmos”, devem ser “poupados à obra de Deus” ou mesmo “afastados” dela (p. 72). Deve-se considerar também que a aptidão de líder para um cargo nem sempre “o qualifica para preencher outro” (p. 70). 

Vale destacar que ao tratar de liderança, Ellen White tinha em mente que não são “grandes resultados” o que mais “pesa à vista de Deus”, pois o Senhor julga acima de tudo, os motivos do coração (p. 70). Embora afirme que quanto maior a responsabilidade ocupada por um homem, maiores serão os ataques do inimigo contra ele, a obra termina reforçando que “esperar pacientemente, confiar quando tudo parece escuro, eis a lição que os líderes na obra de Deus necessitam aprender. O Céu não lhes faltará no dia da adversidade (p. 111). 

Uma breve avaliação do livreto permite constatar acima de tudo a atualidade do pensamento da autora acerca do tema "liderança". Ao focar nos valores espirituais (e não no sistema de hierarquia), no serviço e no poder do relacionamento, na busca da unidade e organização, como o determinantes para uma boa liderança, a autora reforça pontos grandemente valorizados em diversas obras, nos dias atuais. Desde muito tempo, se tem reforçado o perfil da liderança servidora com foco nas pessoas e não propriamente nos “negócios” de uma organização. Essa é a perspectiva enaltecida em todo o tempo pela autora, especialmente ao confrontar a sedução do poder como possibilidade de exercer domínio e opressão por parte de líderes. Apesar de dedicar muito tempo à classe dos líderes executivos, seus princípios são adequados a qualquer pessoa que se sinta vocacionado a liderar a Igreja. Um ponto a valorizar é que pelo fato de ser uma das fundadoras da organização, a autora se sente autorizada para estabelecer uma “carta de valores” para ser utilizada no exercício da liderança. De fato, enquanto viva, Ellen White sempre teve contato próximo com a liderança da igreja, sendo que muitos iam ao seu encontro, a fim de obter conselhos apropriados em suas necessidades. Seja por meio de cartas ou Testemunhos impressos, A autora sempre exerceu influência positiva sobre a liderança estabelecida, de modo que suas orientações nessa obra compilada se torna bem apropriada. A edição aborda um amplo corolário de seus escritos e a seleção foi realizada de forma sábia, agrupando pontos diversos, de forma resumida, mas essenciais. 

A obra é valiosa em suas orientações, e apesar de sua curta paginação, atende a uma demanda urgente da organização adventista, que é a formação de novas lideranças. Clinton A. Valley afirma em sua obra Socorro! estão me seguindo, que a ausência de lideranças é  a maior crise dos dias atuais, afetando não só a a igreja como também as corporações seculares. Observa-se, todavia que um detalhe que poderia torná-la mais excelente seria uma proposta de um apêndice a fim do livro, com um guia de estudos em grupo, para formação de liderança. 

Assim, o que se conclui, é que a obra Liderança Cristã é um livro recomendado sem reservas a todo líder de igreja que se veja chamado para a missão de conduzir pessoas ou a assumir cargos de grande responsabilidade na obra de Deus. Recomendo. [Claudio S. Sampaio, UNASP, Julho de 2016].

http://pastorclaudiosampaio.blogspot.com

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