Por que Deus não Continua Matando Infiéis como Fez com Ananias e Safira em Atos 5?

domingo, janeiro 15, 2017



A punição divina contra Ananias e Safira, relatada em Atos 5 é um daqueles atos soberanos de Deus, que deveriam ser acolhidos sem questionamento, e com o coração tomado de temor e santa reverência, levando-nos à uma santa prudência no nosso agir na santa presença de um Deus que é capaz de conhecer os motivos mais secretos de nosso frágil coração. Mas sem questionar a legitimidade do ato, fica um outro questionamento, sendo este o que me traz a essa pequena reflexão.

Sabemos que todo pecado ostensivo traz consequências imediatas e de longo prazo, mas a pergunta que fica, é: porque houve tanta severidade divina para com o casal que mentiu para Deus, se na atualidade, Ele aparentemente se nega a punir de forma cabal pecados equivalentes, na vida da Igreja?

Para mim a resposta é simples e se relaciona com a pedagogia divina. As escrituras ensinam claramente que Deus nos orienta pelo que está escrito, pois tudo o que está escrito, "para nosso ensino foi escrito", e os erros e acertos do povo de Deus no passado e as punições divinas sobre o seus pecados são apresentados como exemplos para a igreja na atualidade (veja 1Co 10:6,11; Rm 15:4).

E está claro também, em outros momentos, que o Senhor Jesus endossou o ensino pelo exemplo. Jesus mesmo disse, em seus dias na carne, que houve cidades mais ímpias do que Sodoma e Gomorra, pois receberam seus milagres com tamanha incredulidade e indiferença, que receberão maior juízo do que aquelas do AT, que foram devoradas pelo fogo (Veja os ais sobre Corazim, Capharnaum e Betsaida em Mt 11:20-24).

Todavia, assim como não vemos crentes hipócritas sendo mortos por sua falsa piedade, também não vemos o fogo divino caindo sobre as cidades, à semelhança de Sodoma e Gomorra, nos dias do NT. Mas o livro de Judas afirma solenemente que o juízo sobre Sodoma e Gomorra teria sido posto como um "exemplo" para os crentes, do reto juízo de Deus contra o mesmo pecado que se repetisse na atualidade do tempo da igreja (ver Jd v.7).

Assim deve ser interpretado o caso da terra que se abriu na rebelião de Coré (Nm 16) o caso da lepra que veio sobre Miriã, por fazer fofocas contra o enviado de Deus (Nm 12), e etc. Estes casos singulares de punição imediata não se repetem no mesmo contexto, mas ficaram como alertas de Deus para nós, seu povo. Ou seja: ao punir severamente no passado, e providenciar o relato escrito, Deus já deixou uma orientação e um alerta para nós que vivemos nos tempos posteriores. E embora a punição não seja mais aplicada de forma imediata, está claro que a rebeldia de hoje não será tolerada. Assim deve ser visto o caso de Ananias e Safira.

A igreja em seu nascimento necessitava ser prevenida acerca do pecado da hipocrisia e do falso testemunho, para o bem dos crentes daquele contexto e para nós que chegaríamos depois. A prática espontânea da Igreja inicial era que os crentes vendessem seus bens e doassem seus valores, vivendo de doações igualitárias regulares, à medida que sentissem necessidade (At 4:35). No caso de Ananias e Safira, eles fingiram a prática piedosa, ao doarem apenas parte dos bens que declararam ser totalmente de Deus. Ao chegar diante do apóstolo Pedro como se estivessem repetindo o gesto daqueles que doavam todos os bens, aparentavam uma piedade que não possuíam, corrompendo uma prática que dava sustento à igreja que nascia.

Deus precisou demonstrar que o pecado da falsa piedade não seria tolerado e que Ele seria juiz de todo aquele que entrasse por essa via. Essa medida tomada inicialmente deixava claro para a comunidade a forma como Deus veria esse pecado destrutivo na vida da igreja.

Não vemos mais hoje esse juízo imediato sendo aplicado, assim como também não houve juízo imediato por meio do fogo para com outras cidades ímpias do NT ou de nossos dias, após Sodoma e Gomorra. Mas diante dos atos divinos realizados no passado, sabemos o que Deus lhes reserva: um pior juízo. Temamos e tremamos, diante disso.

Concluo que Deus teve um propósito em trazer a punição imediata sobre o casal de crentes em Atos 5, embora não faça o mesmo hoje: para que sejamos orientados pelo poder do exemplo, e pelo ensino das escrituras, evitemos cair no juízo de Deus que punirá com maior rigor este pecado, no último dia, com a condenação no lago de fogo. No inferno de fogo serão lançados todos os que amam e praticam a mentira (veja Ap 22:15).

Mesmo que os hipócritas não sejam eliminados do meio da congregação hoje, Deus bondosamente realiza um ato de graça ao proporcionar esse evento insólito na vida da igreja primitiva e deixá-lo registrado em sua santa palavra, a fim de que sejamos orientados para andar em temor diante dAquele que julga não apenas os atos exteriores, como também sonda os motivos secretos do coração.

Assim, tenhamos cuidado com a falsa piedade em nossa experiência com Deus. - Cláudio Sampaio

Cite a fonte = http://pastorclaudiosampaio.blogspot.com

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