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Depois de 31 de Março de 1964: Resta Esperança?


Tenho um fascínio pelas histórias de guerra. Alguns filmes marcaram minha memória, como Born to Kill, do Scorcese e Platoon, do Oliver Stone. Na literatura, para mim a obra As Benevolentes, de Jonathan Littel, é inigualável. Talvez por essa paixão, o assunto referente ao período militar no Brasil me cause tanto fascínio. Mas como todo caso de guerra ou de guerrilhas, essa não é uma boa história. Não começa bem e também não tem final feliz.

Hoje, 31 de Março de 201, faz 53 anos que o Presidente João Goulart (Jango) foi deposto pelo Congresso Nacional, o que culminou com a impostura do regime militar por 21 longos anos. Há muita discussão sobre esse período, que vai de 1964, com a nomeação do General Castelo Branco como Presidente, até 1985, com a abertura política através do General João Figueiredo. Uma ala política de tendência progressista afirma que se tratou de um "golpe contra a democracia". Outra, de tendência mais conservadora, entende que se tratou de uma "contra-revolução", ou "revolução" contra um poder anti-democrático que se instalava.

Como a gente sabe, tudo jaz sob uma questão ideológica. Quem está certo? Quem está errado? Penso que há razões para ambos os lados, e por isso, penso que a discussão não vai acabar nunca. Mas o que fica é a certeza de que essa medida, aparentemente positiva em seu começo, foi extremamente desastrosa, em seu desfecho, como demonstra a História: censura, execuções sumárias, leis absolutistas, crise econômica, e por aí vai...

Sem dar razão para nenhum lado, a gente sabe que neste período estava tudo uma bagunça, mesmo no cenário mundial. Corrida armamentista, iminência de uma terceira guerra. Uma "guerra fria" entre a União Soviética e os Estados Unidos, que disputavam o domínio do mundo, com suas ideologias. Uma crescente desigualdade de classes no país, o que incentivava a tentativa de implantar o Comunismo no Brasil. Um temor perceptível da classe média e do Grande Capital diante da ascensão de Fidel Castro, em Cuba, etc... Tudo era tenso e aberto a diversas possibilidades. E enquanto os Soviéticos enviavam especialistas tramando uma guerrilha, os EUA trabalhavam nos bastidores, movimentando a Política e a opinião pública.

Aí vieram o militares, com o discurso de salvação. Uma comitiva das Forças Armadas de Minas Gerais, sob o comando do General Mourão Filho tomou os quartéis do Estado da Guanabara (RJ), e dominou o I Exército, desencadeando a queda de Jango. Sem saber o que fazer, Jango foge, não para Brasília, para se defender no Congresso, mas para o Rio Grande do Sul para se entender com Leonel Brizola e buscar apoio de seus poucos partidários, no Exército. Mas a fraqueza do Presidente se destacou e nada deu certo. Jango foge para o exílio, no Uruguai. Nunca mais voltou ao Brasil.

E foi assim que, na madrugada de 31 de Março, Jango, que possuía um viés socialista (sabe-se), foi deposto, com uma justificativa de contenção. O General Castelo Branco foi estabelecido como Presidente Interino. A medida era apenas para instalar a paz, diziam os partidários. A promessa era de que as Forças Armadas assumiriam o governo apenas até uma eleição direta, num período de poucos meses.

E este, de fato foi o verdadeiro golpe militar: enrolaram o povo e ficaram 21 anos! Quando o povo começou a protestar, criaram-se leis absolutistas, assumiram o controle da imprensa e censuraram o direito de expressão. Vieram os anos de Chumbo: bombas explodindo, passeatas de protesto dispersas com violência, prisões e exílios. Para o brasileiro, só foram dadas duas opções: ou ame o Brasil (como estava) ou deixe-o! E depois de 21 anos, os militares só saíram porque a revolta armada da esquerda foi se intensificando a tal ponto, que não era mais possível uma continuidade do regime.

Em 1985 a União Soviética iniciava um novo modo de governo, que diminuía a interferência do Governo nas questões civis, e o mesmo ocorreu no Brasil. João Figueiredo, vindo de uma frente mais flexível do militarismo, iniciou um processo de abertura política e de anistia, que levou a eleições diretas, que permitiu ao povo eleger Tancredo Neves como legítimo Presidente do Brasil. Era assim, definitivamente, o fim do militarismo. Veio a  restauração da democracia.

A pergunta é: há mesmo democracia no Brasil? As leis criadas representam de fato o desejo do povo? Ou defendem os interesses de uma elite? Até que ponto os órgãos legislativo, executivo e judiciário reapresentam os ideais de uma República, que é um governo que emana do povo e existe para o povo?

O cenário atual só demonstra que estamos bem longe desse ideal. Se a intervenção militar não foi positiva, a pergunta que se levanta é: qual modelo que se apresenta para esse período de trevas? Como disse o Arnaldo Jabor, vivemos numa era de crise de paradigmas. Não há modelos. Não há luz no horizonte. Só há um túnel, e outro túnel, no fim do túnel.

Mas isso é bíblico. As Escrituras afirmam que o mundo e as pessoas irão de mal a pior. Paulo diz que enquanto estiverem discursando pela paz, chegará uma destruição repentina. Não existe utopia definitiva. Isso significa que iremos a passos apressados para um abismo de fracassos, porque o mundo, contaminado pelo pecado, tem seu tempo de validade. O mundo está chegando ao fim.

Enquanto escrevo penso naqueles que são tão apaixonados pelo tema da Política. Mesmo alguns cristãos dedicam tempo e energia em defender bandeiras e ideologias como se elas de fato estivessem livres da maldade e da corrupção. Precisam repensar sua fé e sua esperança. Uma esperança arraigada nesse mundo e nessa vida não tem nenhuma força de apoio permanente e cedo fracassará. A esperança em Deus, sim, essa não falhará.

Que Deus nos ajude a não colocar esperanças definitivas nas ideologias e partidos. A Política está enferma porque este mundo está enfermo. A esperança definitiva é a vinda do Reino de Deus. Eu creio nisso.

Como os apóstolos do Senhor, eu oro: Ora vem, Senhor Jesus! Que venha logo o tempo da completa justiça.
fonte = http://pastorclaudiosampaio.blogspot.com

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