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As Dez Pragas: Natureza, Razão e Propósito


Estaria Deus vingando-se do Egito com as dez pragas?

BIBLIOGRAFIA BÁSICA: COLE, R. Alan. Êxodo, introdução e comentário: série cultura bíblica (São Paulo: Mundo Cristão, 1981. HOUSE, Paul R. Teologia do Antigo Testamento (Vida, São Paulo: 2005). MILLARD, Alan. Descobertas dos tempos bíblicos (São Paulo: Editora Vida: 1999). NICHOL, Francis D. (Editor). Comentário Bíblico Adventista Del Septimo Dia (CBASD),Tomo 1: Gênesis. LaSOR, William S. Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 1999).


No livro de Êxodo, encontramos o violento choque entre o Deus de Israel e os falsos deuses do Egito, quando dez pragas se sucedem contra um faraó obstinado e o Egito que ele domina. De acordo com Alan Millard, alguns acham inconcebível que desastres tamanhos tenham atingido uma nação tão bem-organizada como a egípcia sem deixar nenhum registro escrito. Porém, segundo o CBASD e outros, é sabido que os egípcios eram orgulhosos quanto a seu poderio e domínio, e como de regra, entre os povos antigos, possivelmente eles relutariam em registrar um fato tão negativo para sua história como um povo.

Tem-se questionado sobre quem seria o Faraó do Egito nos dias das pragas. O CBASD afirma:

"Se Aminotep II foi o Faraó da época de Moisés foi seu filho maior (o irmão dele o sucedeu, a saber, Tutmósis IV) quem foi morto nesta noite de horror. Não há registros egípcios sobre isso, pois estes não registravam fatos humilhantes. Porém inscrições egípcias mencionam, Tutmésis se revelando como sendo instituído mediante uma revelação divina, embora se faça menção do seu irmão mais velho. O que aconteceu a este, não há registro".(NICHOLL, 1:566).

LaSor apresenta uma estrutura interessante: nas nove primeiras pragas encontramos uma estrutura literária que as agrupa em três conjuntos de três pragas. No primeiro conjunto, Moisés aparece junto ao rio Nilo. No segundo, aparece no palácio. No terceiro, faz gestos sem aviso a Faraó. Ele também faz uma leitura imaginativa, negando o elemento sobrenatural das primeiras pragas, mas por fim, reconhece que o décimo acontecimento foge à regra e não oferece explicações naturais. 

Outros estudiosos reconhecem a historicidade do evento. As pragas são descritas com palavras hebraicas cognatas, e todas elas têm sentido de "golpe", "pancada", e ao mesmo tempo, pelas palavras usadas para "sinais". Deus, então teria se valido de golpes reais como sinais de Sua autoridade divina perante o orgulho do Egito a fim de redimir Seu povo. Para Cole, esta é uma prova de atividade divina e mostra nessa atividade, castigo e principalmente, salvação. 

Mas salvação para quem?, essa é a grande pergunta. Para Israel? Ou teria Deus propósito de salvar também o Egito? Uma leitura atenta demonstra que Ele desejava acima de qualquer coisa, revelar-se acima de todos os deuses do Egito e atrair a todos para si, inclusive a Faraó e seus súditos. 

Paul House insiste nessa idéia. Para ele, Deus começa Sua revelação com um homem só, Moisés, a fim de alcançar as duas nações. Também afirma que Deus não começa imediatamente com as dez pragas. No primeiro momento, Deus se revela a Faraó e lhe dá uma ordem. Faraó mesmo confessa que não conhece a YAHWEH (Ex 5.2). Conclui-se que Deus precisa então se revelar para ele. O primeiro sinal teria sido um “prelúdio” das pragas, por meio das quais “lenta, mas inexoravelmente YAHWEH remove a falta de conhecimento de Faraó” (House, 2005, p. 127). As pragas eram de um modo especial, redentivas, e não apenas para Israel, mas também para todo o Egito, a fim de todos os povos reconhecessem a soberania de Deus e se submetessem a Ele. Mas os sinais vão se intensificando à medida que o coração do Faraó se torna mais e mais duro. 

Pode-se cogitar também, se era do interesse de Deus que tais catástrofes ocorressem de fato. Sobre esse aspecto, é importante notar que embora Deus houvesse dito a Moisés que necessitariam vários castigos a fim de induzir a Faraó deixar sair Seu povo, jamais revelou o número exato destas pragas. Faraó mesmo causa a sequencia, pela sua obstinação.

Concluindo, propomos que, quanto à natureza, as pragas tiveram origem em Deus, em razão da 'rebeldia dos egípcios em atender ao apelo de Deus. Além disso, deve-se ver que o propósito divino não seria a destruição do povo egípcio, mas sim revelar-se a eles, e por meio deles. Além de convencê-los de que YAHWEH é Soberano Deus e não seria aceita nenhuma oposição aos Seus reclamos divinos, havia a pretenção de salvar. As pragas vieram em resultado de sua rebelião contra a revelação e a autoridade de Deus e a oposição a Seu povo. Deus, como Salvador,  veio em manifestação contra a opressão e em defesa de Seu povo oprimido. [Claudio Soares sampaio]

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Anotações extras: as dez pragas


Sobre as pragas, há quem encontre aqui uma narrativa literal, com manifestações sobrenaturais do poder do Deus de Israel. LaSor cita aqueles que encontram uma explicação científica para os eventos e vêm apenas o "Senhor da natureza", operando pelos meios naturais, negando a realidade miraculosa dos eventos. Há ainda os que acham nos eventos catastróficos, apenas metáforas espirituais. Porém, como Cole, podemos questionar se metáforas ou simples manifestações naturais convenceriam escravos oprimidos a confiar em seu profeta e muito menos a Faraó permitir a saída do povo. 

As pragas, sendo interpretadas como fenômenos naturais abrem margem para a hipótese de uma praga haver desencadeado a outra sucessivamente. Alguns afirmam, por exemplo, que a praga sobre o Nilo que se transforma em sangue fora apenas um fenômeno causado pelo barro vermelho de Absínia, ou concentração elevada de planta infusórias criptogramas identificadas como “maré vermelha”, fenômeno comum, que causa a morte de peixes. Assim, após essa suposta tragédia, era natural que as rãs arribassem do Nilo. E estas, ao serem mortas, atrairiam as moscas, que por sua vez, poriam larvas sobre os homens e animais, causando as feridas. 

Porém, pode-se afirmar como Nicholl, que alguns elementos escapam a essa teoria, como por exemplo o detalhe das datas especificadas por Moisés. Ele especifica de modo bastante claro a data para algumas pragas (cf. Ex 9.5, 18; 10.4). 

Outro detalhe é que as pragas fossem de fato, eventos naturais como se supõe, jamais haveria possibilidade de algumas delas ocorrerem. Cita-se, por exemplo, as trevas que duraram três dias. Champlin argumenta que um eclipse não duraria tanto tempo. 

Outra evidência é que uma chuva de granizo no Egito sempre foi algo muito raro. Às vezes se demora anos para chover, e mesmo a chuva comum não é muito frequente. A catástrofe dos granizos, em ligação com os outros eventos, para Nichol, certamente teria sido de ordem sobrenatural. 

Outro ponto sustentado por Nicholl seria a separação do povo de Israel,feita por Deus. Em toda a narrativa, Deus poupa Israel de cada catástrofe. Isto, com certeza, seria um sinal de controle divino sobre os eventos.

A praga das águas em sangue. A menção “seus rios”, “canais”, “lagoas”, “depósitos” e até os vasos, de água demonstra que seria um fato miraculoso. Assim, as águas não teriam apenas a cor de sangue, manchada pelo barro da Arábia, ou concentração elevada de infusórios criptógramos similares à “maré vermelha”. Seria muito duvidoso que um acontecimento assim aceito satisfizesse todas as especificações da praga bíblica.

A praga das rãs. As rãs eram animais sagrados para os egípcios. Uma de suas divindades, Hequet, era uma deusa com cabeça de rã, e como se supunha tinha poder criador. Deus, aqui, se revela o Senhor da Criação. 

A praga dos piolhos (“kinnman”): palavra derivada provavelmente do egípcio “jenemés”, que equivale a mosquito. A tradução “piolhos” segue a opinião de Flávio Josefo e dos escritores Talmúdicos, mas não tem base linguítica. Fílon e Orígenes afirmam que estes causavam irritação dolorosa na pele quando picavam.

A praga das moscas (“arob”): palavra de significado duvidoso. Pode se relacionar com a palavra assíria “urubatu”: “insetos miscelâneos, nocivos”. Na LXX: “tabano”, este inseto, quando se enfurece, prende-se á pele, principalmente das pálpebras A separação entre os que sofreriam o mal era, certamente, um indício adicional de um poder miraculoso.

A praga da peste nos animais. Até aqui, as pragas são contra os egípcios e não contra as suas propriedades. Deus pretendia que se impressionasse com calamidades que empobreciam seus súditos, uma vez que não se comoveu com o sofrimento pessoal. Porém, com esta praga e a da chuva de granizo, também suas posses sofreriam destruição.

A praga das úlceras. Alguns pensam ter sido uma praga semelhante à lepra, outros, abscesso, como furúnculos do Nilo, tão comuns na região.

A praga dos granizos. A chuva de granizo é muito rara no Egito. Às vezes não chove por anos. Sendo algo extraordinário, somente se aceita um feito miraculoso.

A praga dos gafanhotos. As lagostas pequenos gafanhotos devoradores, eram a mais temida praga das plantações. Geralmente comem todo o produto verde que encontram. 

A praga das trevas. Alguns pensam ter sido um eclipse. Porém eclipse não pode causar uma escuridão de três dias. Rá, o deus sol havia recebido um golpe. No Egito os faraós chamavam a si mesmos de “Filho de Rá”.

A morte dos primogênitos. Este golpe havia de cair sobre todos os primogênitos, tanto de homens quanto de animais. Isso demonstra mais uma vez que Deus não desejava exterminar a nação egípcia e ao seu gado, mas sim convencê-los de que não seria mais tolerada oposição aos propósitos divinos.

[Claudio S. Sampaio]

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