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Marcha das Vadias e a Questão do (des)Respeito


No dia 27 de abril de 2014 a cidade de Porto Alegre (RS) promoveu mais uma etapa de A Marcha das Vadias, fenômeno que, ao que parece, se tornará uma tradição brasileira, à semelhança daquela promovida a cada ano pelo movimento GLBT. Quase mil pessoas participaram, e como de praxe, o tema do estupro foi explorado, e o excesso de nudez, langeries à mostra e sensualidade explícita foram marcas do evento.

A Marcha das Vadias, promovida atualmente nas terras tupiniquins tem seu antecedente na famigerada passeata denominada "SlutWalk" que aconteceu em Toronto, EUA, em abril de 2011, quando as mulheres se organizaram em uma manifestação pública, confrontando a idéia de que seu estilo de vestir teria componente de culpa para alguns casos de estupro ou assédio sexual. Antes disso, certo policial teria declarado que as mulheres deveriam parar de se vestir como "vadias" para evitarem ser estupradas, o que ocasionou o dito protesto. Desde então, essa prática tem influenciado o Brasil, que desde junho de 2011 organizou sua primeira Marcha das Vadias, promovendo sua disseminação para várias cidades brasileiras, como a de Porto Alegre. 

A questão do estupro merece, de fato, ser repensada pela sociedade. De acordo com a ONU, uma em cada cinco mulheres que nascem serão vítimas de tentativas de estupro ou serão estupradas no decorrer de sua vida, e penso que esses dados merecem ser confrontados. Mas ficam as perguntas: Precisamos de fato de uma Marcha das Vadias para a busca dos direitos dessas mulheres ou mesmo para sua conscientização? Aliás, é bom que se pergunte: Quais direitos seriam esses exigidos pelas manifestantes? Comecemos, então, pelo começo.

1. Os Direitos das Vadias


De acordo com fontes, o principal mote dessa manifestação é a idéia da valorização do "direito de ser" da mulher. Como nas décadas de 1960-70, quando feministas saíram as ruas e queimaram seus sutiãs, na atualidade, as mulheres se despem e saem as ruas para exigir o direito de se vestirem e serem o que bem desejarem sem a imposição das regras morais vigentes. Se de acordo com o senso comum o vestir de forma sensual torna a mulher uma vadia, elas querem admitir que são vadias, se é este o preço de usufruírem desse direito. Não apenas defendem este direito, como também buscam promove-lo como algo certo e livre de malícia.

Todavia, o que se vê, é que muito do que se diz como legítimo neste movimento soa apenas como jargões ideológicos. Basta ver a realidade no Brasil. Depois de uma pesquisa de opinião pública sobre a influência do modo de vestir sobre o índice de estupro de mulheres, e da revolta feminista exposta nas redes sociais para confrontar a ideia, eu particularmente, nunca li nem ouvi dizer acerca de um estudo científico sobre o contrário da verdade de que a sensualidade feminina de fato desperta a libidinagem no homem. Há referências sem conta de estudos sobre os efeitos da sexualidade exposta sobre o homem. Todavia, parecendo desconsiderar isso, na atualidade, o universo feminino tem se entregado a uma exploração desenfreada de sua sensualidade no modo de vestir-se, de modo que o mundo hodierno pode sem receio, ser chamado de "erotizado". 


Outro fato é que as roupas femininas na atualidade tem girado em torno da exploração da sensualidade da  mulher, tornando-as um mero objeto sexual que atende as fantasias do universo masculino. Diante disso, ficam as perguntas: Se as mulheres aderem a um estilo sensual e provocante de se vestir com base na exploração de sua sensualidade, a quem desejam influenciar? Como entender o paradoxo de que querem se vestir de forma nitidamente provocante e ao mesmo serem contrárias a qualquer provocação ou assédio? Pode até ser possível que algum homem venha a dirigir algum galanteio indesejável em certo momento ou mesmo venha a avançar em suas investidas em relação ao sexo oposto, mas em alguns casos não seria uma mera resposta a uma mensagem comunicada dentro de um código comportamental já instituído? Nao haveria em certos casos (raras exceções) um compartilhamento da culpa? Não seria o caso de os homens também se revoltarem pelos assédios virtuais aos quais são submetidos a cada dia pelo excesso de sensualidade presenciado até mesmo nos ambientes de trabalho? Não poderia haver uma Marcha dos Vadios em defesa dos homens vitimados pelo excesso de sugestões libidinosas e pelo direito de resposta? Na verdade, a liberdade só se torna de fato legítima quando não interfere na do outro. Seria legítimo se alguns começassem a exigir seu "direito" de andar nu pela cidade, contrariando a moral e o senso comum? Como aplicar de forma diferente esse conceito, como no caso das ditas "vadias"?

2. O Símbolo das Vadias


Além disso, o discurso em favor da libertação da mulher presente nesse movimento ultrapassa a discussão acerca do estupro e assédio sexual e avança para outros campos, como a busca da dignidade para o ofício da prostituição. O site "Blog da Redação" indica Indianara Siqueira, uma transexual de 42 anos e prostituta por opção desde os 18, como um símbolo dessa luta inclusa na Marcha. 

Os feitos "memoráveis" de Indianara também são listados: Foi indicada como uma das responsáveis pelo fim da “cafetinagem” em Copacabana, diminuindo desse modo, a exploração de mulheres no local. No período em que morou na Europa foi presa na França por ter abrigado prostitutas que estavam em regime desumano de "trabalho" e na atualidade, Indianara tem se dedicado na busca de regulamentação da prostituição como uma "profissão". Apesar de reconhecer a dignidade humana inerente à pessoa das prostitutas, não seria pedir demais que o "ofício" mereça o respeito dado às demais profissões ou seja reconhecido como "digno", diante da visível degradação e aviltamento das pessoas envolvidas?

3. A Semântica das Vadias 


Outro problema é a semântica do movimento. A palavra "vadia" tem diversos sentidos no senso comum e no direito, e nenhum deles pode ser considerado bom ou adequado a quem busca exigir respeito. De forma direta, uma pessoa que se denomina "vadia" pode ser entendida como uma desocupada, ociosa, que se envolve com práticas contrárias à moral, ou até mesmo vagabunda. Para mim, há um contra-senso visível quando alguém que diga que optou por viver como um "vagabundo" ou "amoral" sem o respeito devido às convenções sociais vigentes, deva exigir que o respeitem. 

No mais, pelo que se observa no estilo e postura das participantes da Marcha, vê - se que a nomenclatura está muito bem adequada. Vi as fotos. Li os dizeres. Mulheres despidas de suas roupas em plena rua, expondo corpos desnudos, com visível sensualidade. Vi também os cartazes, alguns com dizeres os mais absurdos. Cito alguns: "Tirem seus rosários dos meus ovários", numa clara confrontação da moralidade católica tradicional. "Liberte sua vagina", numa promoção da liberação sexual. "Merecemos respeito, mulher não é só bunda e peito". Mas o engraçado disso tudo é que foi apenas isso o que mostraram: bundas e peitos. E em plena véspera de maio, mês das mães, o grotesco "Minha mãe é uma vadia". 

4. A Necessidade da Marcha


Confesso que nao consegui entender o nexo dessa Marcha  com o teor de sua exigência. Pelo conteúdo dos cartazes e das indumentárias usadas (ou pela falta delas), poderia ser também uma Marcha das Depudoradas ou Marcha das Exibicionistas  e ficaria do mesmo tamanho. Usar o pretexto do estupro como uma desculpa para exigir o direito de ser e viver aquilo que no senso comum se define como "vadia" se entende. Mas exigir que respeitem o estilo de vida, é o cúmulo. Despir-se em plena praça pública e sair desnuda pela rua se chamando de vadia e exigindo esse direito, não sei seria o melhor meio de alcançar o respeito. Daqui a alguns meses, teriam o Carnaval, era só esperar um pouquinho mais. Além disso, há outros modos de pedir respeito, e creio que o meio utilizado nessa dita marcha terá seu efeito contrário. 


Por essas e outras, parabenizo Maria da Penha, que nunca precisou se desnudar em praça pública para lutar pelos direitos da mulher oprimida e promoveu a criação de um Artigo de Lei que traz o seu nome e  visa a proteção da integridade feminina. Parabenizo também aos idealizadores da marcha "Quebrando o Silêncio" que a cada ano promove a busca do direito da mulher de forma decente e sem agressão visual ou verbal. Autoridades competentes do meio jurídico, políticos e instituições da comunidade de base participam de passeatas, palestras e atividades cívicas, promovendo informações e apoio. Sugiro a todos que se solidarizam com a figura da mulher contemporânea em sua ânsia de libertação a participarem da campanha "Quebrando o Silêncio" a cada ano.

Recado Final


Na verdade, ao considerar os tópicos acima, penso que não precisamos desta Marcha para a melhoria da convivência entre os povos. Nem sempre o que pensamos ser nosso desejo pode ser algo legítimo ou que corresponda ao bem de todos. Quanto as ditas "vadias",  digo que é respeitável essa busca de respeito, mas penso que algumas posturas nessa busca podem gerar justamente o efeito contrário. Como dito antes, houve momentos em que foram usados meios mais adequados com resultados mais positivos. 

E para aqueles que pensam que sugiro o contrário, nunca penso que haja alguma "justificativa" para o estupro, mas "motivações" para ele não faltam. E essa sensualidade e erotismo desenfreado perceptível na sociedade - penso- é visivelmente um destes componentes. 

Penso que o que de fato está faltando é uma marcha pelo retorno dos bons costumes, tão em falta nesta boa terra de Nosso Senhor, onde a nudez é celebrada, bandidos se tornam heróis, a política se desmoraliza e tudo se acaba em "pizza". - Claudio S. Sampaio.

Olha um exemplo clássico da exigência das Vadias:



Um comentário:

  1. Fênix Pensadornovembro 11, 2015

    Na minha opinião a marcha das vadias é uma forma de tornar nosso mundo um pouco pior. Um pouco pior? Só um pouco?! É que acho bom facilitar a divulgação de quem é puta...
    Frases como "sou puta, sou santa" é um jeito excelente de distorcer, corromper ou confundir o significado das coisas (creio que isso acontece no decorrer de décadas). Mas a marcha das vadias não muda nada naqueles que as odeiam e que as desrespeitam, como dizem elas. Lembrando, respeito é pra quem tem. Mostrar o corpo e mexer com o instinto selvagem de muitos homens (sempre tem aquele que perde o controle e depois apronta alguma) não é nem de longe uma forma de mostrar que tem respeito. Quem quiser agredi-las ou se vingar delas continuará fazendo isso, com ou sem marcha.
    Só tem uma coisa que admiro nessas vadias: a SINCERIDADE. Elas não ferem um homem (por dentro, claro) ao deixarem bem claro seus reais interesses e objetivos e o que elas são. Já vi mulher comum ferindo o coração de um homem como eu muito mais do que uma puta comum seria capaz. Tudo isso porque a MENTIRA, a falsidade e o amor falso de uma mulher é uma alquimia venenosa capaz de adoecer muitos corações, principalmente os mais frágeis.

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