Header Ads

Sobre as Músicas Parabéns a Você e Rá! Tim! Bum!



“Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros”. - Efésios 4:25.

Algum tempo atras, circulou pela internet especialmente nas redes sociais um alerta sobre músicas que eram cantadas em nossas festividades de aniversário, com suspeita de que estivessem vinculadas ao ocultismo e magia. Para alguns crentes – e como são crentes! – seria um erro o uso do  verso "Parabéns a você" da velha cantiga homônima, chegando ao extremo de  muitos, em seu lugar, agora já estavam cantando (pasme!) “Venham bens a você”. Isso porque em seu entendimento, a frase original estaria carregada de efeitos mágicos, pelo seu teor negativo oculto, que traria a maldição do cancelamento de bens ao aniversariante.

Além disso, o bordão "Rá! Tim! Bum!" (que segue o “É hora! É hora!” no final da cantiga "Parabéns a Você") também jamais deveria ser pronunciado. Isso porque teria o sentido de “eu te amaldiçoo”, ou “seja amaldiçoado” em uma língua que ninguém ainda tem certeza de qual é. Digo isso porque qualquer que tenha paciência de pesquisar verá que as informações apontam para todas as direções: Em certa ocasião, me foi passado por e-mail que a tal frase era originária dos persas; depois dizia-se que viera dos gregos; noutra ocasião, que era dos celtas; noutro momento, da África. E agora, no momento em que escrevo, já se diz que a dita frase era pronunciada em rituais satânicos pelos druidas em seus ritos diabólicos de invocação aos demônios. 

A pergunta é: quanta verdade há nessa história fantástica?

Como cristão e pesquisador curioso que eu sou, me uni a outros tantos blogueiros e me lancei em uma cruzada santa a fim de obter respostas para esta "importante" questão que tem afligido a fé e o comportamento dos santos filhos do Senhor.  Não foi difícil a pesquisa e as repostas vieram, sendo cada uma delas mais elucidativa que a outra. Por isso, depois de detectar tantos desencontros de informações contidas na própria veiculação da ideia acerca da procedência e sentido da frase, o que fica claro para mim é que na verdade tudo se resume em mais uma lenda hurbana do cyber espaço.

Nossa contestação se inicia com as falsas suspeitas acerca da famosa canção “Parabéns a Você!”, a famosa versão do “Happy Birthday To You”. Segundo fontes , esta canção seria fruto de uma evolução lenta e progressiva que nos chegou desde os nossos amigos dos EUA, que antes de nós a cantavam em suas festividades. Como dito acima, essa versão surgiu da canção americana “Happy Birthday to You” criada não por bruxas malvadas ou figuras ligadas a seitas anticristãs, mas sim por duas professoras americanas, Patty e Mildred, por volta do ano de 1893. Essa canção foi gravada (ou registrada) somente em 1935 pela empresa Summy Company, que segundo fontes, até hoje cobra royalties pelo uso da música! Sua primeira versão não era “Happy Birthday to You” como conhecida agora. No princípio, ela se reduzia à repetição do verso “Good Morning to All” como foi cantada até pelo Tom & Jerry em um episódio de desenho animado. Era apenas uma muisiquinha cantada pelas educadoras como uma saudação carinhosa para a sala de aula, no começo do dia letivo. A alteração se deu porque em 1924, um músico chamado Robert Colleman teria surrupiado a melodia e alterado a frase original "Good Morning To You" para "Happy Birthiday To You" e editado em um livro. Já no Brasil, a versão em português de “Happy Birthday to You”  surgiu apenas em 1942, e isso devido a um concurso promovido pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro, em 1941. O desafio proposto pela empresa era premiar a quem apresentasse a melhor versão em português para a cantiga clássica em inglês. Uma certa Bertha Celeste Homem de Mello (foto), poetisa paulista, teria sido a vencedora, ao apresentar a popularíssima versão da canção com os seguintes versos:


Berta Homem de Mello
"Parabéns a você
Nesta data querida
Muita felicidade
Muitos anos de vida”

Curiosamente, naqueles dias o terceiro verso era cantado no singular e nele se revela o principal tema da canção: O desejo de que muita alegria, prosperidade, saúde ou qualquer outro atributo que resulte no pedido seja possível a quem é homenageado pelos convivas. Pelo que vejo, não há nada de maldições ou elementos mágicos ou ocultistas, aqui.

Mas e quanto ao bordão “É pique! É pique! (ou: ‘é big! é big!’), É hora! é hora! Rá! Tim! Bum”?

Esse acréscimo não consta na música original. Mas nada demais surge a partir desse fato. Tudo indica que sua origem vem do nosso bom português, e não de línguas mortas ou antigas, como revela o site de pesquisa da Fapesp On-line, em um longo artigo escrito por Fabrício Marques, sendo parte de uma série de reportagens sobre os setenta anos da Faculdade de São Paulo. Segundo o autor citado, a frase foi incorporada ao final do “Parabéns a Você” como uma colagem dos bordões dos pândegos estudantes das Arcadas, como era chamada a antiga Faculdade de Direito de São Paulo, na década de 1930.

Em primeiro lugar, consideremos o “É pique! É pique!”. De acordo com a fonte, esta era originalmente, uma saudação ao estudante Ubirajara Martins, conhecido como “Pic-pic” porque andava sempre com uma pequena tesoura aparando a barba e o seu bigode pontiagudo. Em locais como Rio de Janeiro e Região Norte, houve uma corruptela da frase, e em seu lugar se diz “É big! É Big!”, numa sutil mas evidente influência da língua americana sobre as antigas palavras.

Em segundo lugar, consideremos o “É hora! É hora!”. De acordo com a fonte, este era apena um grito de guerra de botequim onde estes pândegos, incluindo o dito "Pic-pic" frequentavam. Era cantado nos bares paulistanos da década de 1930, mais precisamente no histórico restaurante "Ponto Chic", quando os ditos estudantes eram obrigados a aguardar meia hora por uma nova rodada de cerveja. Diz-se que este era o tempo necessário para a bebida refrigerar em barras de gelo, naqueles idos, tempo de congeladores precários. Quando cumpria o tempo especificado, os estudantes gritavam, como um aviso ao garçom: “É meia hora, é hora, é hora, é hora”.

Em terceiro lugar, consideremos o “Rá!Tim!Bum!”. Por mais incrível que pareça, estas palavras cantadas referem-se a um rajá indiano chamado Timbum, ou coisa parecida, que visitou a Faculdade e cativou os estudantes com a sonoridade de seu nome. Esse nome ou apelido, Rajá TimBum, tão característico, 
evoluiu para o bordão "Rá! Tim! Bum!" que se tornaram cantadas como onomatopéias. Ou seja: São palavras que representam os sons, como aqueles “sock!”, “pow!”, “smack!”, "bang-bang", das histórias em quadrinhos. Na tentativa de reproduzir a sonoridade de uma fanfarra tocando, em clima de festa, o Rá! imita o "pa-rá-rá-rá" do toque de Tamborins ou Taróis; o Tim!, imita o som dos pratos; e o Bum!, o som do Bumbo ou Tambor. Quando se canta o "Parabéns a Você”, a sugestão é que o que ocorre em seguida, é a imitação de uma fanfarra tocando para uma celebração de festa.

Este amontoado de bordões ecoava nas mesas do restaurante Ponto Chic, ao que parece, muito frequentado pelos alunos das Arcadas, que aparentemente trouxeram todos os elementos da convivência entre os estudantes, o que veio a evoluir para uma música, com um formato um pouco diferente do que se conhece hoje em nossas festas de aniversário:

"Pic-pic, pic-pic!
É meia hora! É hora, é hora, é hora!
Rá, já, tim, bum".

Como se pode ver, não há nada de sentido oculto nas palavras, nenhum elemento sobrenatural, nem maldições druídicas, nem satanismo, nem mesmo mensagem subliminar, seja na canção "Parabéns a Você, seja nos bordões que seguem a ela. Diante disso, essa falsa alegação de feitiços e ocultismo por traz de algo tão inocente só pode vir de maldade por parte de elementos inescrupulosos que se deleitam em manipular a crença de pessoas simples que sempre se deixam levar por qualquer boato alarmante. São aqueles semelhantes aos que o livro de Atos 17:21, descreve como sedentos por novidades.

O que mais me incomoda em tudo isso é a facilidade como alguns cristãos se deixam levar tão facilmente pelas informações. Poucos notam um fato simples, mas determinante em tudo isso: A escassez de informações no e-mail veiculado ou mesmo nos sites que repetem a informação. Qualquer um pode notar que apesar de tanta ênfase e alarme no pretenso sentido oculto das ditas palavras, nenhuma fonte autorizada é citada para a origem dessa informação. Até mesmo a alusão aos episódios da série infanto-juvenil "Castelo Ra Tim Bum" televisionado pela Rede Cultura nada acrescenta. A mera citação do título não pode afirmar que tem os sentido oculto pretendido. Ninguém sabe de onde veio essa informação. Diante disso, fica a certeza de que foi plantada e se reproduziu pela pressa e falta de bom senso dos incautos. 

Em vista disso, prefiro crer que tudo não passa de mais uma lenda urbana disseminada no cyber espaço. Podemos cantar o nosso velho “Parabéns a Você” sem medo. Podemos também cantar os bordões sem receio. Depois de tudo, podemos orar, entregando o momento e a vida do aniversariante nas boas mãos de nosso Pai Eterno, que é rico em abençoar e a ninguém nega seu cuidado. 

E para aqueles que à semelhança dos crentes indianos que prosseguem ainda no temor de falsas divindades e de entidades ocultas, apenas digo: Tenha fé. Agindo Deus, quem impede a bênção, meu irmão?

Concluindo, fica nosso apelo:

Em primeiro lugar, apelo mais atenção aos amigos que são apressados em enviar os ditos e-mails de correntes. Pesquise antes. Às vezes, basta lançar o tema no Google e as respostas virão. E gostaria que nunca mais me chegasse às mãos algum e-mail com essas “benditas” correntes. E nisto insisto, amigos, de coração. Há tantas coisas melhores para repartir.

Em segundo lugar, apelo aos amigos que são criativos, que busquem outros modos mais construtivos para o uso de seus talentos.Se forem cristãos, mais sério: Paulo nos chama a falar a verdade ao nosso próximo e a fugir da mentira. A mentira e o Reino de Deus se excluem mutuamente.

E como não poderia deixar de ser, termino apelando aos que leêm este texto, que repasse essa informação. Depois de tantas besteiras que você, como eu, em algum momento, tem passado adiante, porque não fazer o mesmo com esse esclarecimento? Copie o link dessa matéria, cole em sua rede social, e passe avante, sempre que receber os tais e-mails ou para aqueles que estão sofrendo este medo infundado.

E para descontrair: Se você não repassar, será amaldiçoado com as terríveis maldições do celtas.

- Claudio Soares Sampaio.

Apêndice: 




Homenagem a Berta Celeste Homem de Mello.

Em Jacareí (SP) a farmacêutica e professora faleceu de infecção pulmonar em 1999, aos 97 anos. Certa ocasião, num encontro familiar, a tia Berta comentou: "Quem canta – como muita gente faz – 'Parabéns prá você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida', está cometendo três erros gravíssimos: na primeira linha, o certo é 'Parabéns a você'. Na segunda, o correto é 'nesta', e não 'nessa'. E, na terceira, 'muita felicidade' é singular e não plural. Felicidade é um estado de espírito; felicidades, plural, não existe. O que existe é um maior ou menor grau de felicidade."

Este Depoimento foi enviado por Ruben Levy Homem de Mello - Analista de Sistemas - Aposentado, filho de Olympio Homem de Mello e Durvalina Homem de Mello (já falecidos), todos nascidos em Pindamonhangaba.

Fonte: Site Home de Mello 

Para mais detalhes, consulte os seguintes sites que entre outros foram as fontes de minha pesquisa:

Revista Fapesp On-line

Tela Quente

Quatro Cantos Lendas

Site Homem de Mello


http://pastorclaudiosampaio.blogspot.com

Nenhum comentário

Sua opinião é importante para mim. O que você pode acrescentar? Entretanto, observe:

1. Os comentários devem ser de acordo com o assunto do post.
2. Avalie, pergunte, elogie ou critique. Mas respeite a ética cristã: sem ataques pessoais, ofensas e palavrões.
3. Comentários anônimos não serão publicados. Crie algum nome de improviso para assinar o escrito, caso não queira se identificar.
4. Links de promoção de empresas e sites serão deletados.
5. Talvez seu comentário não seja respondido imediatamente
6. Obrigado pela participação.