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O Homossexual e a Sociedade Conservadora: Confrontando o Discurso de Ódio



É perceptível o clima de ódio que se instalou no relacionamento entre a ala cristã conservadora e o movimento fundamentalista LGBT (ou GLBT). Tanto a Marcha Para Jesus quanto a Parada Gay foram instrumentos decisivos para os conflitos nesse campo, e seus resultados não são os mais agradáveis. Fato é que a cada dia cresce não apenas a polarização dos grupos, como também o ódio entre as partes. O pior disso tudo é que muitos cristãos inocentes, que antes nunca sentiam aversão por nenhuma classe, pela influência dos debates presentes nas redes, acabam não só se polarizando, como, por indução, seguem semeando ódio por meio de intrigas disseminadas nas mídias eletrônicas.

Fato comprovado, a reação de muitos diante das fotos divulgadas da última Parada Gay realizada em São Paulo. A polêmica surgiu em relação a foto da modelo transexual Viviany Beleboni, 23 anos, exposta em uma cruz, com uma placa relacionando a alegoria à prática da homofobia. A mensagem era clara: Que o ódio pelos gays seria uma forma de crucificação moderna. Ou ainda: Que Jesus poderia ser encontrado na figura incompreendida e desprezada do homossexual.

A reação foi emblemática, por parte dos conservadores: Houve mais uma vez a demonização da figura do homossexual e ofensas de toda sorte foram dirigidas ao grupo, numa visível defesa da moral e dos “bons costumes”, cobrando acima de tudo, o “respeito” pelo sentimento religioso cristão.

Mas a essa altura eu me pergunto: Jesus é patrimônio de algum grupo sectário? Qual teria sido o desrespeito por parte da figura que representava o gay crucificado? Teria ele dito alguma palavra ou gesto ofensivo à pessoa de Jesus? No máximo, poderia ser entendido como uma mensagem reflexiva aos fundamentalistas cristãos. Além do mais, a imitação da crucificação não seria de outro modo uma boa mensagem para que muitos de nós crentes refletíssemos melhor acerca do modo como tratamos os "diferentes", em nosso contexto atual? Via de regra, a reação de ódio por parte da ala conservadora diante de fatos como este revela apenas que em muitos casos, a acusação por parte dos homossexuais procede. De fato, muitos cristãos nutrem ódio pela figura do homossexual e não admitem um aproximação deles para com os símbolos sagrados da fé.


Que a prática da homossexualidade conflita com a percepção bíblica apostólica, isso é fato. Em pelo menos dois textos, Paulo, o maior expositor da doutrina apostólica, deixa claro sua reprovação tanto da prática quanto da ideologia homossexual de seus dias (cf. 1Coríntios 6:10, Romanos 1:27). E os cristãos conservadores se agradam em seguir as orientações apostólicas no campo da moral.

Porém, o que  muitos ignoram é que à parte da prática, a pessoa do homossexual de fato traz à nossa mente a figura dos marginalizados dos dias de Jesus, dos quais o Mestre, quebrando protocolos religiosos conservadores de seu tempo, se aproximou e até mesmo atendeu (cf. Lucas 7:36-50; 15:1-32; João 4:1-18; 8:1-11). A carne do homossexual e da lésbica é a mesma daquela pela qual Jesus se uniu para sempre pela  Encarnação. A reprovação da prática sempre houve, e nós cristãos devemos manter esse discurso, mas o ódio contra a pessoa deveria ser reavaliado. Não proponho aqui a tática dos cristãos ditos “contemporâneos” que até mesmo participam da Parada Gay, mas sim uma postura de abertura para o encontro e aproximação. O contrário disso é apenas uma confirmação da acusação de homofobia proposta pela foto causadora da intriga.

Sei que muitos cristãos conservadores são bem intencionados ao entrar no debate em torno do caso. Mas da forma que o fazem, com palavras ofensivas, pouco ajudam. Cada palavra que escrevem ou pronunciam em confronto, em suas declarações sobre as polêmicas em torno do movimento LGBT apenas recrudesce a mágoa entre os grupos e gera mais distanciamento. 

Falando nisso, deveríamos tomar cuidado ao entrarmos em polêmicas. Em muitos casos, as noticias são ventiladas à guisa de provocação, objetivando um confronto. O primeiro grupo que se manifesta de forma agressiva em torno do assunto não só promove a causa contrária como também atende à intenção da intriga "plantada". E nisso, muitos têm se beneficiado. A figura de Jean Wyllys como emblemática dos gays "oprimidos" ou de vultos religiosos como Malafaia e Feliciano como os defensores da moral conservadora "em perigo" se construíram em torno do discurso de ódio e da polarização social que eles mesmo ajudaram a disseminar. Por isso, penso que em muitos casos, o silêncio é a melhor atitude diante de provocações.

Porém, também penso que podemos contribuir de forma positiva. Entre outras coisas, como dito acima, precisamos entender que Jesus não é propriedade de nenhum grupo religioso. Ele se identificou com a família humana. Muitos gays e lésbicas, a seu próprio modo, se afirmam cristãos. Discordar de seu modo de vida é um direito, mas fazer disso um motivo de guerra é uma tolice sem tamanho. Precisamos também entender que o "patrulhamento ideológico" não combina com o cristianismo autêntico, que busca uma identidade a partir da prática de Jesus. Não é produtivo um conflito ou ofensas dirigidas a pessoas a cada vez que nos sentimos ofendidos por elas. Outro ponto é que as normas morais que acreditamos serem as corretas, são aceitas numa relação de aliança entre o ser humano e o Deus Criador, de forma espontânea e jamais deveriam ser impostas como forma de ideologia. Nisso há liberdade. 

Por fim, penso que em lugar do ódio, o ideal seria que afirmássemos o nosso amor por todas as classes. Ofertemos o amor onde houver ódio. Semeemos a paz onde houver a guerra. Agindo assim, se não mudarmos o sistema ou as pessoas, pelo menos teremos mudado a nós mesmos, e nos tornaremos mais semelhantes a Cristo. Penso que no futuro, quando houver um silêncio de uma parte, o lógico é que a outra também se silenciará. Sei que isso é uma utopia, mas penso que seria assim que Cristo faria, se estivesse em nosso lugar. Quando se avalia o todo, é Jesus o centro do debate, e é em torno dele que deveria surgir a nossa reflexão.

No mais, acerca do ódio, deixemos a defesa com Cristo. Breve Ele estará de volta, e colocará as coisas em seu devido lugar. -  (Claudio S. Sampaio).


Apêndice 

1. Depoimento de Mirna Blanc, no Twitter:

"Sabe o que eu vi naquela imagem? É que cada um carrega a sua cruz e para os LGBT ou GLBT infelizmente ainda é a homofobia."

***

2. Depois de publicar este, encontrei o seguinte post que segue meu pensamento e vale a pena a leitura:

"Está todo mundo comentando, então eu também darei a minha opinião. Toda guerra começa, quando uma das partes a declara. Nada justifica esse ultraje, mas a própria natureza proporciona respostas a todos os tipos de ações, e durante séculos, o cristianismo tem vilipendiado, ultrajado, cuspido, destruído e profanado outros símbolos e outros paradigmas que não sejam os cristãos. A lei de ação e reação é fiel, e sempre cobra por tudo que fazemos. Vivemos em um tempo onde a corrupção, a violência, o desrespeito atingiram o seu auge, e isso já é o próprio planeta mostrando quem vai ficar e quem vai sair. Isso é uma provocação, e depende da sua reação para saber se vc fica ou se vc sai. Eu estou falando em evolução do espírito, do pensamento e do ser. Quem fica ultrajado somos nós, que inventamos a religião e tomamos para nós o nome de Cristo como se fosse nossa propriedade, mas passamos décadas rindo dos Trapalhões e de outros grupos que fizeram todos os tipos de piada possíveis com grupos homossexuais, que tiveram que viver segregados, pois conviviam com o ridículo, a violência e a falta de caridade moral das pessoas. Aí, quando a coisa se volta contra quem estava por cima, se torna ultraje, se torna cristofobia, se torna intolerância, mas a verdade é que o fardo é sempre mais leve no ombro alheio, e a pimenta sempre arde mais em nossos olhos. Como se sabe, o País é laico, e cada pessoa, desde que não cometa crime, ela tem o direito de se expressar da forma que achar melhor o seu descontentamento. Cristo é maior do que isso, e ele não não se importa com miudezas, porque sabe que a própria Natureza, criada pelo Pai dará a resposta certa à ação certa. Está sendo assim com o cristianismo, e com certeza será assim com essas linhas de pensamento modernas. E isso um dia acabará, mas somente quando for instaurado o respeito mútuo, e a mútua aceitação." - Grimaulde Gomes, via Facebook.


http://pastorclaudiosampaio.blogspot.com

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